segunda-feira, 13 de junho de 2011

O concreto salgado escorre pelos meus encontros, me encharca. Mas continuo pedalando, cada vez mais resignada, pedalando, pois sua rudez me faz dócil. Um garoto trilha sonoro na calçada ao longo de sua mudez, e eu me pergunto se ele sente tanta raiva calada quanto eu. Eu o ultrapasso, só para saber que irei encontrá-lo novamente. 17.58. No relógio parado da cozinha coletiva, ainda 17.15. Estaciono a bicicleta e flerto com as rosas de plástisco que posam na cesta de uma bicicleta alheia, cheias de piedade humana. E tudo se entrelaça subitamente com a irrupção da rotina por meio das nuvens densas cobrindo o navio prestes a partir: Bem vindo a lugar algum, e uma boa viagem.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Amor

Uma auto-salvação da ameaça de si mesmo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Boehme através de mim

The Soul says again to its noble Sophia, its Love, that is born again in it

O my noble Pearl, and opened Flame of Light in my anxious fiery Life, how thou changes me into thy Joy! O beautiful Love, I have broken my Faith with thee in my Father Adam, and with my fiery Strength have turned myself to the Pleasure and Vanity of the outward World. I have fallen in Love with a Stranger, and would have been constrained to walk in the Valley of Darkness in this strange Love, if thou had not come into the House of my Misery, in thy great Faithfulness, by thy piercing through and destroying God's Anger, Hell, and dark Death, and restoring thy Meekness and Love to my fiery Life.
O sweet Love! Thou hast brought the Water of Eternal Life out of the Fountain of God, with thee into me, and refreshed me in my great Thirst. I behold in thee the Mercy of God, which was hidden from me before by the strange Love. In thee I can rejoice; Thou changest my Anguish of Fire into great Joy in me. O amiable Love, give me thy Pearl, that I may continue in this Joy forever.

But as no Pearl thee have to give, must my Anguish of Fire seek some mundane palliatives from time to time.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A presença tão forte da ausência.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O espírito é o juiz dos objetos mais nobres, a sensação, dos mais úteis.

domingo, 20 de junho de 2010

Eritis sicut Deus, scientis bonum et malum.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Decisões. Estar disposto a tudo perder para eventualmente algo ganhar... E depois, novamente, perder...

segunda-feira, 1 de março de 2010

O parto mais dolorido é o parto de si mesmo. Deve se permitir morrer para poder nascer. Bem, já que morreremos de qualquer maneira... Que sejamos nascidos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Que aterrorizante contemplar ao espelho o reflexo de um ser que pensa.

sábado, 26 de dezembro de 2009

É necessário que corpo tensione a corda para baixo e que o espírito tensione-a para cima para que a alma possa produzir sua vibração.
"A irrupção dos nossos desejos, no meio de nossos conhecimentos que os invalidam, cria um conflito temível entre o nosso espírito inimigo da criação e o fundo irracional que nos une a ela. Cada um dos nossos desejos recria o mundo e cada um dos nossos pensamentos o aniquila. Na vida de todos os dias alternam-se a cosmogonia e o apocalipse: criadores e demolidores cotidianos, praticamos a uma escala infinitesimal os mitos eternos; e cada um de nossos instantes reproduz e prefigura o destino de sêmen e cinza reservado ao infinito."

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Algo cochicha em meus ouvidos que somos símbolos a serviço de um certo Deus...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

"Os deuses não igualo! ah! quão profundo o sinto!
Igualo o verme que, faminto,
No pó se nutre; e ao qual, enquanto escava a vasa,
O pé do caminhante esmaga, arrasa."

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

“Todas as coisas conhecidas tem um numero, porque sem ele não seria possível que algo fosse compreendido ou conhecido”
Omne trium perfectum
"Apesar de podermos rir do teatro apreendendo este como realidade, ele impele uma seriedade sufocante se o apreendermos apenas como uma peça."
Amar é permitir que alguém te mate.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Sonho com um minuto dourado, fora do devir, com um minuto ensolarado, transcendente ao tormento dos órgãos e à melodia de sua decomposição."

sábado, 31 de outubro de 2009

O amor, esse abominável vício do ego, empreitada frustrada de fusão com a Unidade através de outra unidade, que todavia causa dependência por proporcionar breves instantes de torpor alimentados pela ilusão química da dissolução da concepção dual no ser acometido por esta falácia.

sábado, 24 de outubro de 2009

"Estamos unidos uns aos outros por um pacto tácito de aguentar até o último suspiro."